19.2.11

e ainda vou acabar caminhando por aquele lugar que vejo todos os dias nos sonhos. e com sonho atingido em lilás, serei passarinho branco com asas de satisfação espalhando sementes trazidas da estrada cinza antiga. mas as sementes serão renovadas pela chuva de melaço e brotarão arcos-íris pequenos cheirosos de riso. em cada arco-íris, um caldeirão de jujubas espera por uma criança afoita ou uma gente grande original. a brisa sopra pipocas multicoloridas, há uma névoa de guache. num galho em formato de lápis, uma gorduchinha balança as pernas, assobia canção de roda. um gato acrobata se embaralha em volta dela, cai no lago de purpurina e ri com os bigodes pro alto. lá na cachoeira alta, um burburinho feliz chama os vagalumes. o céu pontilhado de corações conhecidos mostra que o pensamento se fez vivo, que a vontade honesta escolheu o destino e o anjo da guarda tinha disfarce de intuição.


que pensar em tons delicados permaneça na nossa essência.

que nossas tintas não pesem, que sejam pigmentos pedindo licença para virar lembranças serenas.

que envelhecer nos dê rugas de colcha de retalhos no pensamento: apenas mais espaços confortáveis para dormir memórias.

2 comentários:

Cristiano disse...

E, como diz o Kleber Albuquerque, e que o mal tenha paredes de isopor...

E, como eu digo, que o peito tenha portas e janelas abertas.

Bom passar por aqui.

Bj

Cristiano disse...

E, como diz o Kleber Albuquerque, e que o mal tenha paredes de isopor...

E, como eu digo, que o peito tenha portas e janelas abertas.

Bom passar por aqui.

Bj