12.5.08

eu não te pedi um tempo porque eu não sei medir tempo. me embaralho com horas e tic-tac. demora um tempo para abrir o peito, lá tem portão de pedra. mas esse tempo é seu, é meu seu olhar de lado que eu levo como se fosse um convite. e se hora não bastar pro seu olhar ser elogio, eu me embaralho mais e te dou dia pra te clarear o afeto. e te dou noite pra te estrelar o desejo.
e o dia negreando em noite e a noite palidecendo em dia e o muro ainda de pé, eu ofereço estação pra você. ponho minha mão morna na sua, assopro seus receios, congelo o momento e broto uma cantiga simples.
mas se a folhinha virar em um número a mais, largo a mão do tempo pra te palavrear sincero:
eu vejo teu peito fechado de perto-perto porque fugi por uma fenda graúda do meu.









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