7.4.08

aconteceu

aconteceu assim de eu não achar você, e de você não se achar. e de todo mundo tentando te achar, mas a bebida achando todo mundo. quando virei de costas, aconteceu assim de te ver me vendo e fui vendo menos todo mundo vendo. saímos andando, aconteceu assim da gente parar sem parar o tempo andando e você me parou pro a gente não parar. não quis olhar seu olho, aconteceu assim do seu olhar não dar querer pro meu olhar. escapuliu um sorriso de lado, aconteceu assim do meu lado sorrir pro lado do seu sorriso. tinha barulho calado ali, aconteceu assim de você calar o meu barulho aqui e o meu barulho calou o aí. acabou a distância, aconteceu assim do ar que separa acabar e a distância morrer de sem ar. ficou escuro embaixo do meu olho, aconteceu assim da escuridão embaixo do seu não mais ficar. sua vontade de boca tocou meus lábios, aconteceu assim da vontade molhar o toque e dos lábios se molharem sem toque. do peito com peito brotou um calor, aconteceu assim desse calor perfeito brotar afoito. você me deu tua mão morna, aconteceu assim do meu não amornar. o encontro corre da lembrança, aconteceu assim da lembrança correr ao seu encontro e eu não saber explicar.

5 comentários:

Caito disse...

belíssima prosa poética, parabéns!

Rani disse...

ultra master bonito

Cristiano disse...

Lindo.

Já leu um cara chamado GERO CAMILO? Ele tem um livro lindo chamado A Macaúba da Terra. Acho que vale a pena a procura. Livros bons nunca são suficientes, pra não se ler...

Cristiano disse...

Aliás, vc é da turma da Larissa Minghin? Sinto um sotaque mineiro no ar!

Nat disse...

Lindo! Lindo! E lindo!