15.11.07

desejo de já!


não dá pra acompanhar desejo, ele é outro quando chega.

queria eu que ele fosse lama pra fazer cerâmica, e brincar de Deus com esse barro de vontades.
mas o desejo quer me despejar. ele não sabe ser presente, é sempre após.
mulher foi feita pra desejar.
eu soul: do molde do desejo ainda não entendo, mas o que desejo agora é ausência de desejo. [e pelo ato desfazer o agir.]
essa tal liberdade. isso é cachaça.
me deixa tonta, boba alegre, risos-à-toa, dançarina solta, pega, joga pra cima, derruba.
vicia.
tenho espasmos voluntários ao pensar na distância da liberdade.
[na abstinência não tem esse vento na cabeleira, crescida a duras tesouradas.]
tenho espalmadas duas mãos, com muita areia correndo, escorrendo, corando a forma do desejo sem escoras.
vai areia, vai satisfação.
vai, satisfaz a ação de desejar coisa aerada.
desejo é feito texto, começa de um jeito e termina de outro, é pretexto de querência sem rumo.
um véu de lembrança adiantada.

desejo: déjà vu.




Um comentário:

SAMANTHA ABREU disse...

puxa!!
que grata surpresa me descobrir, sem querer, linkada aqui no teu blogue.
Adorei.
A adorei também teu espaço, muito bom!

Parabéns e Obrigada!