3.9.07

Poemau

Una é criminosa, eu acuso: ela não sabe poemar, na biblioteca com a chave inglesa. Em matéria de verso, só sabe do reverso (e do inverso e do perverso – que queria não saber ou saber melhor). Entende de prosear, bate dois dedos tortos de prosa que é uma beleza. Mas de poesia tem sua vida e ponto. Melhor, 3 pontos...

Entretanto, entretantontura, é cara de pau e isso não é uma beleza (unânime). Volta e meia ela se arrisca. Digo, na poesia mesmo. Porque até há pouco tempo atrás – praàqueles lulistas que juram que 1 ano é pouco – ela achava que sabia poemar. Foi quando conheceu Lyon. Ou melhor, Lyon cismou que ia conhecê-la, custasse a poesia que custasse.

Ela deu de ombros. Ele deu de cabeça. Ela fingiu que não era com ela. Ele não fingiu que era ele. Una, criatura distraída, foi deixando ele saber cada dia mais um detalhe. Uma cor preferida, na segunda. No fim de semana, uma fruta. No final do mês, uma viagem. Em outubro, um desejo. Em dezembro, uma revelação. No começo do ano, uma aspiração. No fim do verão, já era uma amizade-poética-dialética-não-hermética. E ela nem viu, mas Lyon estava de olhos abertos pras pálpebras semi-cerradas de Una.

O problema que primeiro pareceu solução é que Lyon poema que só. Ele é poesia em osso, carne trêmula, diversão e ameasabor. Isso pra Una é bacana, mas, putz, toliu o direito inegável e inato de todo ser de poemar - sacanagem literária da grossa . Mas como ela não é quadrada, pelo contrário, anda bem redondinha, ela se mete a besta como poetinhosa.

A vergonha pra ela é inevitável (dispensável dizer, afe): não quer mostrar seus atos poemísticos a ninguém. Só que se esquece de esconder sua vergonha assim como deixa uns rabiscos espalhados por aí. E se esquece também da atuação onipresente incansável do serviço de espionagem de Muita Pinga (que serviu de inspiração pro Show de Truman).

E mesmo com o t(r)emor de que Lyon veja alguma de sua tentativas de poemarcar, não é que ela tem se atrevido?? :

amor de p

pêra pequena com pimenta.
de palavras podres.
pérfida pose.
prozac com pinga e pipoca:
pura piração.
pultaquiupariu!
perdeu a ponta,
pisou no próprio pé,
parou pra praguejar.
pela profundidade:
poço de poeira pink.
picante pecado em
prenda pagã de
pele pelada
porra!!
perdi: pro-fundo
peito, pélvis
pró-ativo-passivo-pós,
penetrou
paraíso !!
pronto:
paxonei.

Poemou pensando putaria, fato. Me disse uma vez que este assunto tem que ser pelo menos assunto na sua vida. Ou desculpa pra poemar.

Esses dias ela disse que não vai mais poemar. Achou outra coisa pra fazer.

Vou PORAMAR! As palavras, lógico!!! - e mão na cintura, cabeça fazendo que sim, boca franzida, testa enrugada, cabeleira sobe-e-desce-sobe-e-desce-pixuim.

ME D ROSA poramadora!!- poetampinha não me engana .

naaahhhh!!!! AT RE VIDA poramante!!! - Una dedo em riste, no tapa-boca!

Discussão encerrada. Ninguém vai gostar de Una poramarga.
Nem Lyon.

6 comentários:

Delfim Peixoto disse...

Li e gostei; voltarei, se me for permitido
jnhs

Anônimo disse...

Lyon é tão cruel asim?! Una sempre soube se virar!!! Aliás, nunca vi Una tão destemida como nesse texto! Surpreso.

L.

Anônimo disse...

Você já pensou que esse texto é uma arte poética pré-arte-finalista?! O começo antes do decorrer. E vc tem jeito pra coisa. Um pouco exagerada, mas tem muito jeito. Precisa de umas ortientações, caso queira ir pelo caminho, embora há quem acredite que você vai longe intuitivamente! Você é, pra mim, já uma grande cronista e poeta de potencial a ser explorado. Enfim, gostei das variações em torno do radical poem-/poet-! Continue assim, ou melhor, exerça rupturas!

aarquiteta disse...

Amiga pimenta psicoldelica da literatura... adorei o poema p!! apesar de vc se auto-criticar o tempo todo, tá lindo de viver!!
Bjusss

Anônimo disse...

Nossa. INCRÍVEL. Virei leitora, virei leitora e ponto.

JU disse...

P E R F E I T O ! ! ! ! . . .
;)